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E outubro levou consigo o meu Outubro

(se o Shau existisse, ele seria assim)


2005. Era uma vez uma Kami com doze anos. Apaixonada - período difícil esse das descobertas das primeiras paixões -, lia o último mangá de Sakura Card Captors com uma frequência exagerada. Quero um amor como esse, pensava, enquanto suspirava pelas declarações românticas de Syaoran e Sakura. Ao mesmo tempo, fã irrevogável de Evanescence, escutava constantemente a música October da banda, uma das canções menos conhecidas do grupo - que, na época, bombava com singles como Bring me To Life, My Immortal e Going Under.
2005. Kami com baixa auto-estima. Gostaria de ser como a sua musa, Amy Lee. Queria ter o cabelo longo e liso, os olhos claros, saber tocar piano e cantar divinamente. Entretanto, seu estereótipo divergia totalmente da vocalista do Evanescence. Baixinha, com seus 1,57m, tinha os cabelos cacheados, volumosos e estava acima do peso. Não era boa em nada, apenas em escrever algumas coisinhas que, nem sempre, eram obras primas. Tentava se inspirar em seus cantores favoritos da época para conseguir produzir algo que prestasse - e eram raras as vezes em que conseguia êxito.
Meus doze anos não marcaram a minha vida de forma positiva. As recordações que tenho dessa fase são as mais amargas e difíceis de todo o início da minha adolescência. Sabe quando nada dá certo e você se sente um patinho feio, ou, já diria Renato Russo: "Sou a gota d'água, sou um grão de areia"? Foi mais ou menos assim comigo. Mas, quando olho para aquela garota sem graça que eu era, fico admirada com a capacidade dela querer modificar sua vida criando histórias - capacidade essa que, após Inevitável, eu perdi. E foi assim que, criando um alter ego de nome Kaero e usando o nome da sua música favorita, nasceu Outubro.
Minha pouca maturidade na época não me permitiu fazer de Outubro a história que eu queria, tanto que, várias vezes, modifiquei. Acrescentei e apaguei vários personagens, mudei o foco, criei problemas e resolvi esquecê-los... Permaneci um pouco mais de três anos nessa dúvida, pensando no que poderia fazer para levar adiante o enredo. Nesse meio período, Yume surgiu, e acabei deixando Outubro para trás.
Aos meus quinze anos, estava decidida a esquecer os rascunhos que havia feito desse protótipo de história. Eis que, então, conversei com a minha amiga Lucyellen Lima e ela, implorando, me pediu para não fazê-lo. De algum modo, ela havia se identificado com aquele enredo, até então, bobo e sem graça e queria que, algum dia, eu retomasse a escrita. Aquilo me comoveu de um modo que não consegui negar. Assim o fiz: quando estivesse pronta e suficientemente madura, voltaria com Outubro.
2010. Yume havia sido concluída e restara um vazio. O que fazer agora?, pensava, desolada por não ter mais a companhia diária de Nadia e Adrien. Supus retomar Inevitável, fazendo os devidos ajustes, mas, após uma proposta pertinente do Mitchu (e que não falarei - ainda), cogitei a ideia de voltar com Outubro. Na época, com dezessete anos, me sentia pronta para dar vazão à imaginação.
E, no dia 16 de outubro de 2011, concluo Outubro.
Em nada, Felipe (Shau) Alves e Kaero Sales Morgan remetem aos personagens que surgiram na minha mente aos meus doze anos, tampouco o enredo que ambos traçam. Outubro não é a história que a Kamile de doze anos, no início da sua adolescência, criou, mas é o reaproveitamento de ideias que nasceram nessa época - ideias que remetem a perdas, despedidas, passado, oportunidades únicas de redimir-se de erros. Outubro é a minha folha caída de um longo outono - outono esse que perdura há seis anos.
Está na hora de vocês conhecerem essa folha. Em breve, estarei disponibilizando a sinopse de Outubro :). Irei registrar na Biblioteca Nacional logo e, em seguida, caçar editoras. Desejem-me sorte!
Com amor,
Kami


PS - Lucyellen e Mitchu: essa história é para vocês. Obrigada por não me fazerem desistir dela. Eu amo vocês dois.
PS² - Agradecimentos especiais aos amigos Ticiana Dias, Bruno Souza, Naíra Dias, Ana Karolinne Frota e Jéssica Moreira e ao meu namorado, Diego Pereira, que, por livre e espontânea pressão, me fizeram ter forças (e vontade!) para acabar Outubro. Obrigada, também à linda Van Bosso, que sempre me apoiou e incentivou! Devo muito a vocês!
PS³ - fiquem com as músicas que me inspiraram a escrever essa história.





Os bons anos 90

(Kami baby, em um dia perdido de 1994/1995)


Eliana. Angélica. Disney Cruj. Mamãe e Papai juntos. Mamonas Assassinas. Geloco. Ursinhos da Parmalat. Desenhos da Disney. Ursinhos Carinhosos. O Fantástico Mundo de Bob. Punk, a Levada da Breca. Gasparzinho. Dire Straits. Elton John. As Meninas Superpoderosas. Sailor Moon. Rod Stewart. Barbie. Logo antiga da Barbie. Saídas com o papai para o cinema. Planeta Xuxa. Brincadeira na rua. Caloi. Escolinha Pingo de Luz. Menina chorona. Peter Pan. Boneca da Ariel. Baby Barriguinha. Revista da Barbie. ABC. Guerreiras Mágicas de Rayearth. Dragon Ball. Sandy & Junior. Minichikens da Mônica. Turma da Mônica. Susi. O Resgate de Jessica. Olha quem está falando. Simão, o Fantasma Trapalhão. Mc Donnald's da José Bastos. A Ursupadora. O Diário de Daniela. Luzclarita. Chiquititas. Terra Nostra. Revista Recreio. Último ano na escolinha. Vovô vivo ("Ô Caboquinha..."). Vovô morrendo. Mario World. Windows 95/98. Jogo do Cachorrinho. Princesa Diana.


Por alguma razão, eu só me lembro de 1999. Ainda assim, sinto saudades.

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A Dama Pálida

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Kamile Girão
Fortaleza, Ceará, Brazil
Garota, estudante de Letras, protótipo de escritora. Ama velharia, música antiga, pilhas de livros, pilhas de DVD's, desenho, bonecas, um sardentinho geek e, principalmente, escrever.
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