Campanha Respeito Literário - Eu apoio!

Olá, meus amores! Tudo bem?
No início dessa semana, eu e minha amiga Kamila Benevides estávamos conversando sobre um assunto que muito nos assusta, escritores de primeira viagem: críticas.
Ao meu ver, é muita utopia você achar que nunca será alvo das críticas, assim como é muita imaturidade você ficar com raiva porque pessoa "x" não gostou do seu trabalho e criticou alguns erros nele. Creio que o escritor deve ter em mente uma coisa muito importante: é humanamente impossível agradar a todos.
Tomo eu mesma por exemplo. Yume está para ser lançado. Em breve, o livro estará nas mãos de meus leitores, pronto para uma avaliação. Haverá aqueles que irão adorar a história de Nadia e Adrien, vão se identificar, vão ficar sonhando acordados, enfim; mas também existirão aqueles que vão achar o enredo fraco, mal construído, a história clichê, etc, etc, etc. Não fujo a essa verdade. Algumas pessoas me olham e dizem: "Kami, deixa de pensamento negativo!", mas essa é a lei natural das coisas - e por que fugir delas? Nem Jesus, em toda Sua perfeição, agradou a todos, por que eu, uma mera humana, terei de agradar?
Contudo, creio que estou preparada para as críticas, mesmo que elas cheguem, inicialmente, como aquela facada no seu peito (verdade seja dita: é difícil e doloroso você escutar que seu trabalho está com certas falhas após tanta dedicação). Todavia, tenho em mente que são elas que me farão crescer, ficar forte e irão sanar aqueles defeitos chatos.
Críticas são boas sim. Doem, mas são extremamente úteis na vida de um escritor, de um desenhista, de um músico, de um médico, de um engenheiro.
Todavia, há pessoas que confundem o sentido da crítica. Ao invés de falarem: "Olha, eu não gostei do seu trabalho por motivo x, y, z" ou "Se você modificar um pouco essa sua característica, creio que vai começar a fazer coisas legais", elas simplesmente dizem: "Seu livro tá uma merda, você não sabe escrever" ou "Desiste, porque você é uma droga e nunca vai fazer algo que preste".
Agora me digam, queridos: para quê toda essa agressividade e esse desrespeito?
Nessa mesma semana, estava lendo o blog da Luiza Salazar e havia um post que falava exatamente sobre esse assunto (um post muito bom que você poderá ler clicando aqui). A Luiza dizia que muitos dos que "criticam" dessa maneira (porque, me desculpem, isso nem de longe é criticar: é denegrir), sejam por n fatores (inveja, prazer de falar mal, não importa), não tem a menor noção do quanto isso dói na vida de uma pessoa (e o pior: pode fazer a pessoa desistir do seu sonho!). Tomo como um exemplo o caso da pintora brasileira Anita Malfatti. Anita foi uma das participantes da Semana de Arte Moderna, que ocorreu em São Paulo em 1922. Todos aqui sabem que o intuito dos idealizadores do evento era modificar a arte que, até então, tinha todo aquele rigor europeu, e pretendiam criar (se assim pode dizer) uma arte "totalmente" brasileira (porque, querendo ou não, a inspiração veio das vanguardas europeias). Obviamente, o evento não foi visto com bons olhos pela elite brasileira e detentora da arte e, como era de se esperar, foi duramente criticado. Aí, novamente, voltamos a falar de Anita, que recebeu esta severa "crítica" de Monteiro Lobato (que, além de criticá-la, criticou o Modernismo em geral):

Há duas espécies de artista. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas e em conseqüência disso fazem arte pura, guardando os eternos ritmos da vida, e adotados para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres. (…) A outra espécie é formada pelos que vêem anormalmente a natureza, e interpretam-se à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. São produtos do cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência: são frutos de fins de estação, bichados ao nascedouro. Estrelas cadentes brilham um instante, as mais das vezes com a luz do escândalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento. Embora eles se dêem como novos, precursores duma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu com a paranóia e com a mistificação. De há muito já que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios esta arte é sincera, produto ilógico de cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses; e fora deles, nas exposições públicas, zabumbadas pela imprensa e absorvidas por americanos malucos, não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo mistificação pura"
(Trecho extraído desde blog aqui)

Resultado? A dura crítica de Lobato fez Anita passar um bom tempo desestimulada e parar de pintar.
Esse é só mais um exemplo do como uma crítica ofensiva e mal formulada tem poder SIM de desestimular um artista (e não apenas aqueles que lidam com arte visual, mas todos que lidam com arte).
Voltando agora à literatura. Foi pensando nessas "críticas" de estirpe cruel que a Marcia Bastilho, autora de The Burns, lançou junto aos seus moderadores a campanha Respeito Literário.


(respeito é bom e todo mundo gosta! Se quiser respeito, respeite primeiro!)

O objetivo dessa campanha é bem simples: respeitar aqueles que escrevem. Você não gostou? Tudo bem, é um direito seu e você pode expressar muito bem a sua opinião enumerando as razões pelas quais determinado trabalho lhe desagradou. Contudo, saiba dividir o que é não gostar e o que é denegrir. É respeitando que podemos conviver em paz e harmonia - e isso não é segredo para ninguém.
Se você é a favor desta campanha, espalhe o selo, divulgue a ideia. Afinal, o trabalho do outro merece - e deve - ser respeitado.
Sem mais.

5 comentários:

Samantha 13 de agosto de 2011 19:01  

Olá!!
Sabe respeito sua opinião, há um tempo atrás vimos dezenas de críticas ao trabalho da Mandy Porto, eu não sei se o livro é bom ou não, poré, me doeu o coração por ela ao ver a forma como as pessoas estavam falando do trabalho dela.
Creio que o fato de muito leitores superficiais estarem querendo dar uma de críticos literários também dificulta algumas coisas, já que falta discernimento pra apontar os reais pontos negativos e positivos de uma obra.
Creio que uma crítica não tem que ser positiva ou negativa, pode simplesmente ser uma crítica apontando prós e contras.
Pena que a Mandy lançou seu primeiro livro numa época de "supersinceridade" o que fez que as críticas não fossem só duras e sim desrespeitosas tb.

bjks

Pamella Santos 13 de agosto de 2011 19:01  

Caramba! Ótima iniciativa da Marcia com a campanha! Eu bem sei o que é esse tipo de crítica. Já escutei algumas. Mas sou do tipo que sei bem colocar os pés no chão, e não me abalar por causa desses tipos de opiniões. É uma falta de respeito mesmo. :/

Eu apoio a causa! \o/

Emoções em páginas 13 de agosto de 2011 19:07  

Concordo totalmente!! Críticas sem fundamento não são críticas não é?
beijos, adorei o post. Camila - Emoções em Páginas

Catherine Parthenie 13 de agosto de 2011 20:07  

Lindo texto, parabéns!
Sou a favor dessa campanha! Tem meu apoio e meu respeito!

Sabrina Mara de Oliveira 9 de setembro de 2011 04:16  

Adorei a inciativa e a campanha! Concordo com tudo o que você disse, é impossível agradar a todos e eu com certeza apoio esta campanha!

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Kamile Girão
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Garota, estudante de Letras, protótipo de escritora. Ama velharia, música antiga, pilhas de livros, pilhas de DVD's, desenho, bonecas, um sardentinho geek e, principalmente, escrever.
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